Tecnomyl e Alta deixaram a entidade após pedidos para elevar a até 35% as alíquotas de produtos formulados no exterior; propostas ainda serão analisadas por órgãos públicos
Segundo reportagem publicada no portal AgFeed, a Tecnomyl e a Alta deixaram o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) em meio à disputa sobre pedidos de aumento das tarifas de importação de defensivos agrícolas genéricos. A entidade solicitou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a elevação das alíquotas para até 35%, enquanto as taxas gerais indicadas nos processos variam atualmente de 7,2% a 12,6%.
Os pedidos foram apresentados pelo Sindiveg em quatro processos à Camex. Segundo a entidade, o aumento das importações a preços menores ameaça a produção nacional e os investimentos industriais. Os produtos são formulados principalmente no exterior, com destaque para China e Índia. Parte deles conta atualmente com benefícios tarifários que zeram o imposto de importação.
As solicitações abrangem fungicidas à base de azoxistrobina, tebuconazol, protioconazol e mancozebe, utilizados no controle de doenças em culturas como soja, milho, trigo e algodão. Também estão incluídos inseticidas à base de bifentrina e clorfenapir, além de herbicidas com 2,4-D, 2,4-DB e MCPA.
A Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), que reúne companhias do segmento pós-patente, se posicionou contra a iniciativa, segundo AgFeed. Luis Ribeiro, diretor executivo da entidade, afirmou que um imposto adicional seria repassado aos produtores e pressionaria suas margens. Ele mencionou levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), segundo o qual os defensivos representam mais de um terço dos custos de produção em lavouras de soja ou milho.
Os pedidos ainda dependem de consultas e análises do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As propostas também deverão ser discutidas na Câmara Temática de Insumos Agropecuários (CTIA), órgão consultivo do Mapa. A decisão final caberá ao Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), da Camex.
Ao comentar a possibilidade de uma tarifa de 35%, Ribeiro afirmou que a medida impactaria produtores e, por consequência, a cadeia até consumidores e exportadores. A fonte também registra que a Aenda pretende se posicionar contra os pedidos e que o debate envolve empresas que atuam no mercado de defensivos genéricos.



