Gustavo Jorge afirma que diagnóstico precoce é decisivo para o desenvolvimento da linguagem em crianças com perda auditiva
O implante coclear pode beneficiar crianças que nasceram surdas e adultos que perderam a audição, mas o acesso ao procedimento no Brasil ainda enfrenta obstáculos como diagnóstico tardio, alto custo do equipamento e critérios adotados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o otorrinolaringologista Gustavo Jorge.
O implante coclear transforma o som em sinais elétricos que estimulam diretamente o nervo auditivo. Segundo Gustavo Jorge, o dispositivo é indicado para pacientes que perderam totalmente a audição e não obtêm resultado suficiente com aparelhos auditivos convencionais.
O médico, apontado como pioneiro da técnica em Goiás, afirmou que entre os principais candidatos ao procedimento estão crianças que nasceram surdas e adultos que perderam a audição ao longo da vida.
No caso das crianças, Jorge destacou que o diagnóstico e o início do tratamento nos primeiros anos são decisivos para o desenvolvimento da linguagem. De acordo com ele, o cenário ideal é que a implantação ocorra até os dois primeiros anos de vida. O procedimento ainda poderia ser realizado até os cinco anos, mas, após essa idade, a criança escutaria sem necessariamente desenvolver a fala, segundo a avaliação apresentada pelo especialista.
O otorrinolaringologista também apontou o diagnóstico tardio como um dos principais desafios para melhorar os resultados do tratamento. Ele afirmou que muitas crianças são identificadas com perda auditiva depois dos dois anos e que o acesso mais precoce ao implante poderia produzir resultados melhores.
O aparelho auditivo convencional e o implante coclear têm a mesma finalidade geral de auxiliar pessoas com perda auditiva, mas funcionam de formas diferentes. Enquanto o aparelho amplia o volume dos sons, o implante converte o som em sinais elétricos e estimula o nervo auditivo.
Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme apresentado no conteúdo, indicam que 2,6 milhões de brasileiros tinham dificuldade para ouvir mesmo utilizando aparelhos auditivos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivam com algum grau de perda auditiva e que cerca de 430 milhões necessitem de serviços de reabilitação auditiva.




