Taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro avançaram nos vencimentos de 2028, 2029 e 2031 em meio à discussão sobre risco fiscal e definições do novo governo Lula
Os juros futuros fecharam em alta na sexta-feira (30), com avanço mais intenso nos vencimentos longos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 passou de 14,368% para 14,485%; a de janeiro de 2029 subiu de 14,805% para 14,935%; e a de janeiro de 2031 avançou de 15,155% para 15,210%.
O movimento ocorreu em meio à recomposição de prêmios após as eleições presidenciais e à expectativa por definições sobre a equipe econômica do novo governo Lula e por medidas fiscais. Na ponta curta da curva, aumentaram as apostas de manutenção da taxa básica de juros diante da percepção de maior risco inflacionário.
Ao longo de outubro, a curva a termo ficou mais inclinada. Na comparação com o fechamento de setembro, os vencimentos curtos tiveram pouca variação, enquanto a taxa para janeiro de 2029 aumentou cerca de 120 pontos-base e a de janeiro de 2031 subiu 130 pontos-base. A maior parte desse ajuste ocorreu durante a semana, especialmente na segunda-feira, após o mercado reposicionar suas expectativas com a reeleição de Lula.
Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, avaliou que a inclinação da curva tende a permanecer elevada enquanto não houver sinalização sobre a compensação fiscal de medidas e promessas apresentadas durante o período eleitoral. Pelos cálculos do economista, caso sejam implementadas, essas medidas acrescentariam entre R$ 60 bilhões e R$ 80 bilhões aos gastos públicos em 2027.
Kautz também afirmou que a estratégia do novo governo deverá avançar por meio de um ajuste gradual e em etapas, o que manteria maior pressão sobre os vencimentos longos. Segundo ele, as expectativas em torno do nome do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para o Ministério da Fazenda perderam força ao longo do dia.
William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, afirmou que Lula ainda havia oferecido poucos sinais para acalmar os mercados no período posterior à eleição. Ele mencionou a discussão de uma meta de resultado primário mais ambiciosa para 2027, ainda sem detalhamento, e a ausência de definição sobre o comando do Ministério da Fazenda.
No fim da tarde, a curva de juros futuros indicava 80% de probabilidade de manutenção da Selic em 13,75% na reunião seguinte do Comitê de Política Monetária (Copom), contra 20% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual. Para dezembro e janeiro, a precificação embutia altas de 17 pontos-base e 31 pontos-base, respectivamente.
Em relatório divulgado na quinta-feira, Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays, revisou sua projeção para a reunião da quarta-feira seguinte e passou a prever estabilidade da taxa básica, citando aumento significativo dos riscos inflacionários.




