Proposta em negociação prevê transição nas eleições nacionais de 2030 e adoção integral do novo modelo a partir de 2034
Líderes partidários e integrantes da cúpula do Congresso articulam a retomada de uma proposta de emenda à Constituição para alterar a forma de eleição dos deputados federais. A discussão ganhou força após as eleições de 2026, quando o PL elegeu 121 deputados e passou a ter a maior bancada da Câmara desde a Assembleia Nacional Constituinte.
A proposta de adoção do sistema distrital misto voltou ao centro das discussões na Câmara dos Deputados após as eleições de 2026. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), conduz as articulações para a aprovação do novo modelo, mas ainda não há consenso sobre o formato da mudança nem sobre o calendário de implementação.
A ideia em negociação prevê uma transição nas próximas eleições nacionais, em 2030, e a adoção integral do sistema distrital misto a partir de 2034. A discussão deverá avançar ainda em 2026, segundo as articulações descritas, embora a proposta enfrente resistências dentro da própria Câmara.
O PL não demonstra interesse em alterar o sistema atual, enquanto parlamentares do PT manifestam preocupação com uma mudança nas regras eleitorais após uma disputa presidencial acirrada. Entre os petistas, há o receio de que a alteração seja interpretada como uma tentativa de limitar o crescimento da direita bolsonarista. Já o PL não vê interesse em modificar um sistema que contribuiu para ampliar sua bancada.
Nas eleições de 2026, o PL conquistou 121 cadeiras na Câmara, contra 99 em 2022. A legenda passará a ocupar 23,6% das 513 cadeiras da Casa. O resultado reduziu o espaço de partidos identificados com o Centrão, que perderam, juntos, 22 cadeiras em relação à legislatura anterior.
A mudança na correlação de forças levou lideranças de centro a defender alterações no sistema eleitoral como forma de reorganizar a representação parlamentar. Hugo Motta mantém diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para acelerar a discussão e buscar apoio de partidos que ainda não aderiram à proposta, especialmente PT e PL.
O deputado Domingos Neto (PSD-CE), relator de um projeto de lei sobre o tema na Câmara, deverá assumir também a relatoria da proposta de emenda à Constituição que trata da mudança.
Atualmente, a eleição para deputado federal segue o sistema proporcional, no qual a distribuição das cadeiras considera os votos recebidos pelos candidatos e pelos partidos.




