André Janones afirma que grupo criado no WhatsApp continuará ativo; presidente sinaliza que regulamentação das plataformas será prioridade
Lideranças políticas e influenciadores de esquerda defendem a continuidade da mobilização digital após a eleição de Lula e a regulamentação das plataformas de redes sociais. O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que o grupo criado no WhatsApp será mantido como instrumento de pressão popular e apoio ao governo no próximo mandato.
Janones reuniu mais de 10 milhões de pessoas no chamado “Exército do Lula”, no WhatsApp, durante a campanha de segundo turno. A estrutura foi apontada por Lula como corresponsável pela virada eleitoral sobre Flávio Bolsonaro (PL). Lula venceu o adversário por 51,8% dos votos, contra 48,2%. No primeiro turno, o petista havia obtido 45,2%, ante 47% do adversário.
Segundo Janones, o grupo deverá atuar para compensar a posição minoritária atribuída ao governo na Câmara dos Deputados e no Senado. A intenção, de acordo com o parlamentar, é manter a mobilização como uma ferramenta de pressão popular e de apoio à governabilidade de Lula.
Durante o discurso de vitória, Lula agradeceu a Janones e destacou a atuação do deputado na mobilização digital da campanha. O presidente também afirmou que passaria a usar o smartphone com mais frequência para se comunicar diretamente com a população, sem depender da interpretação de jornalistas.
A estratégia ganhou apoio de outros políticos de esquerda com forte presença nas redes. Entre eles está Guilherme Cortez (PSOL-SP), deputado eleito que tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram. Ele defendeu a manutenção da estrutura digital e afirmou que a esquerda demorou a compreender a importância das redes sociais na disputa política, mas recuperou espaço no segundo turno.
Cortez também relacionou a mobilização à necessidade de regulamentar as plataformas. Entre as possibilidades citadas por ele está a criação de uma opção para desativar recomendações algorítmicas, permitindo que os usuários visualizem principalmente conteúdos de pessoas conhecidas ou de perfis que escolheram seguir.
Lula indicou que a regulamentação das redes estará entre as prioridades de seu governo. No discurso de vitória, afirmou que plataformas digitais não deveriam interferir no resultado eleitoral e defendeu que crimes cometidos no ambiente digital recebam tratamento semelhante ao de crimes praticados fora dele. Também criticou empresas bilionárias que, segundo ele, não pagam impostos enquanto tentam direcionar resultados eleitorais.
A atuação digital de Janones também teria despertado interesse fora do Brasil. O deputado recebeu convites para auxiliar campanhas de esquerda em outros países, incluindo a tentativa de reeleição do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.




