Petição acusa a Meta de favorecer conteúdos ligados à candidatura de Flávio Bolsonaro; empresa é responsável pelo Instagram e pelo Facebook
Segundo reportagem publicada no portal O GLOBO, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou, em 14 de outubro, novos documentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em uma ação contra a Meta. A coligação acusa a empresa de favorecer a distribuição de conteúdos políticos ligados à candidatura de Flávio Bolsonaro e pede esclarecimentos sobre o alcance de publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A manifestação foi encaminhada ao ministro Marco Aurélio Bellizze, relator da ação apresentada pela equipe jurídica de Lula. De acordo com a petição, os vídeos de Nikolas Ferreira alcançam números considerados desproporcionais em relação à quantidade de seguidores do parlamentar. A campanha sustenta que conteúdos de aliados do presidente enfrentam restrições de alcance, enquanto publicações favoráveis a Flávio Bolsonaro recebem ampla distribuição.
Segundo os advogados da campanha, Nikolas Ferreira tem 22,9 milhões de seguidores no Instagram, mas seus vídeos registram, em média, cerca de 40 milhões de visualizações. A petição compara esses números aos de Kylie Jenner, Kim Kardashian, Beyoncé e Neymar, citados como celebridades internacionais com bases de seguidores significativamente maiores.
Um dos exemplos apresentados pela campanha é o de um vídeo que, segundo a petição, alcançou 56,1 milhões de visualizações no Instagram. A mesma publicação teria registrado 396,4 mil visualizações no TikTok, uma diferença de aproximadamente 140 vezes, conforme o documento citado na reportagem.
A coligação afirma que a discrepância levanta dúvidas sobre os critérios utilizados pelo Instagram para recomendar conteúdos aos usuários. A campanha também menciona o plano de conformidade da Meta, segundo o qual conteúdos políticos recebem, em regra, menor destaque nos sistemas de recomendação da plataforma.
Na ação, a Meta é acusada de “seletividade algorítmica” e de restringir o alcance das postagens da campanha de Lula. A petição também menciona suposta omissão na remoção de contas que usariam inteligência artificial para atacar o presidente e a manutenção de conteúdos sintéticos vedados pelo Tribunal, segundo a reportagem.
O texto registra ainda que Bellizze havia determinado que a Meta prestasse esclarecimentos sobre as dificuldades relatadas pela campanha para impulsionar seu conteúdo digital. A diferença entre as visualizações no Instagram e no TikTok, porém, não comprova por si só favorecimento deliberado da empresa. Trata-se de uma suspeita apresentada pela coligação, que busca informações sobre o funcionamento dos sistemas de distribuição de conteúdo.




