Série de entrevistas destaca necessidade de priorizar obras estruturantes e ampliar os recursos destinados ao setor
Especialistas ouvidos em uma série de entrevistas sobre as eleições de 2026 apontaram as restrições fiscais e a baixa capacidade de investimento como obstáculos para a infraestrutura brasileira. Entre as prioridades citadas estão projetos estruturantes, como ferrovias e hidrovias.
Os eleitos nas eleições de 2026 deverão definir prioridades para o uso de recursos públicos, formular políticas públicas e lidar com a capacidade do Estado de atrair investimentos. As avaliações também mencionaram desafios nas áreas de economia e cultura.
Para Alessandro Reichert, consultor legislativo da Câmara dos Deputados, a baixa capacidade de investimento é o principal gargalo da infraestrutura no Brasil. Segundo ele, os eleitores devem observar propostas que indiquem com clareza a priorização de recursos públicos para obras estruturantes, incluindo ferrovias e hidrovias.
Dados da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base apontam que os investimentos em infraestrutura chegaram a cerca de R$ 280 bilhões no ano anterior, o maior volume desde 2010. O valor corresponde a aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o setor defende a necessidade de pelo menos o dobro desse percentual.
Reichert afirmou que a capacidade de investimento público permanece baixa e que o capital privado, sozinho, não seria suficiente para atender às obras sem viabilidade de exploração por meio de concessões. De acordo com os dados apresentados, 80% dos R$ 280 bilhões são recursos privados, captados no mercado ou por meio de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O consultor também apontou um cenário fiscal complexo e desafios ambientais e energéticos. Na economia, as avaliações destacaram o aumento da dívida pública, o custo de vida e o endividamento das famílias como questões a serem enfrentadas pelos eleitos.




