Área plantada em 2026 é estimada em 1,93 milhão de hectares, enquanto importações podem alcançar 9 milhões de toneladas, segundo estimativas citadas no setor
Segundo reportagem publicada no portal AgFeed, a área plantada com trigo no Brasil em 2026 foi estimada em 1,93 milhão de hectares pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o menor nível dos últimos 8 anos. O cenário é agravado por problemas climáticos e pela concorrência de culturas como milho, canola e cevada, especialmente no Sul do país.
A área cultivada com trigo deve ficar abaixo de 2 milhões de hectares pela primeira vez desde 2018, conforme a série histórica da Conab citada na reportagem. O excesso de chuvas teria comprometido a produtividade e, principalmente, a qualidade do cereal nas principais regiões produtoras, Rio Grande do Sul e Paraná.
O cenário foi discutido no painel de encerramento do 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), entidade que representa os moinhos no país. O encontro tratou das condições de mercado para o cereal e dos impactos sobre as empresas brasileiras.
O especialista em mercado de trigo Elcio Bento, um dos painelistas do evento, estima que a produção brasileira alcance 5,12 milhões de toneladas. Segundo ele, provavelmente metade desse volume será classificada como trigo feed, destinado à produção de ração animal.
Considerando os dados de oferta e demanda, Bento calcula que os moinhos precisariam importar mais de 10 milhões de toneladas de trigo. O analista, porém, avaliou que dificuldades financeiras e gargalos logísticos podem impedir a realização de todo esse volume.
Na abertura do evento, a Abitrigo estimou as importações em 9 milhões de toneladas, o maior volume em 30 anos, segundo a entidade. Esse total representaria 3 milhões de toneladas a mais do que no ano anterior. A entrada do produto depende de espaço nos portos, que também atendem aos embarques de soja, milho e algodão.
A reportagem também cita a perda de competitividade do trigo diante de outras culturas de inverno. Entre os fatores mencionados estão a valorização dos óleos de canola relacionada ao petróleo e ao biodiesel, a expansão da cevada no Paraná e a força do milho safrinha. Na safra 22/23, a alta dos preços provocada pelo início da guerra entre Ucrânia e Rússia havia ampliado o interesse dos produtores brasileiros, mas outras culturas passaram a ser consideradas mais seguras e rentáveis, sobretudo no Sul do Brasil.




