Produtores e comerciantes atribuem pressão nos preços à procura de outros estados e aos impactos das chuvas sobre lavouras
O quilo do tomate chega a R$ 15 em feiras livres de Goiás. Em Goiânia, o produto acumula alta de 93,61% entre janeiro e outubro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Produtores e comerciantes atribuem a elevação dos preços ao aumento da procura pelo tomate goiano em outros estados e aos problemas climáticos que prejudicaram lavouras em outras regiões. Com a oferta pressionada, os valores sobem no atacado e chegam mais altos ao consumidor.
Um comerciante do setor, que trabalha há mais de 20 anos com o produto, relatou que o preço da caixa passou de R$ 180 para até R$ 230 em poucos dias. Em uma das modalidades de venda da banca, ele ainda comercializa o tomate a R$ 7,50 o quilo, mas afirmou que não deve conseguir manter esse valor por muito tempo. Segundo o feirante, a caixa tem registrado aumentos de R$ 20 a R$ 30 por dia.
Uma consumidora também relatou impacto no orçamento e disse que pretende comprar quantidades menores e complementar as refeições com outros vegetais.
Um produtor com mais de 40 anos de atividade, que mantém um box na Ceasa de Anápolis, afirmou que parte da produção de Goiás está sendo enviada para outros estados. De acordo com ele, compradores de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm procurado o produto em Goiás após as chuvas prejudicarem a produção em outras regiões.
Na Ceasa de Anápolis, a caixa de 22 quilos do tomate longa vida chegou a R$ 200, enquanto a do tipo saladete alcançou R$ 250. Em Goiânia, a cotação de 27 de outubro indicava preços entre R$ 190 e R$ 210 para a caixa de 22 quilos do tomate longa vida de primeira classe. O saladete da mesma classificação variava de R$ 230 a R$ 250 por caixa.
Os valores correspondem ao atacado. No varejo, o preço final também considera custos de transporte, perdas de mercadoria e despesas dos comerciantes.
Segundo o IBGE, o tomate ficou 32,59% mais caro em Goiânia na prévia da inflação de outubro, medida pelo IPCA-15. No Brasil, a alta foi de 24,54%. Em Goiânia, o grupo de alimentos consumidos em casa registrou aumento de 1,81% em outubro, acima da média nacional de 1,01%.
Comerciantes ouvidos em reportagem televisiva estimaram que os preços podem continuar elevados até o fim do ano, mas ressaltaram que a trajetória dependerá das condições climáticas e da oferta nas semanas seguintes.



