Acampamentos começaram no Porto e chegaram à Praça do Rossio, em Lisboa; tribunal autorizou permanência da ocupação até 24 de novembro
O aumento dos aluguéis e dos preços dos imóveis motivou ocupações em praças do Porto e de Lisboa, em Portugal. Na capital, o Tribunal Administrativo de Lisboa autorizou a permanência dos manifestantes na Praça do Rossio até 24 de novembro.
Os protestos começaram há três semanas, com a instalação de tendas em uma praça do Porto. Dias depois, manifestantes iniciaram uma ocupação semelhante na Praça do Rossio, em Lisboa. Os atos foram organizados em defesa do direito à moradia e em reação ao aumento do custo de vida, especialmente dos aluguéis e dos imóveis para venda.
As ocupações foram alvo de operações da polícia portuguesa para desmontar as tendas, sob a alegação de que os acampamentos estavam instalados ilegalmente em área pública. Relatos divulgados nas redes sociais e por parlamentares portugueses apontaram lesões sofridas por alguns manifestantes. As tendas, contudo, foram remontadas após as ações policiais, de acordo com as informações tornadas públicas.
A decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa permitiu a continuidade da ocupação da Praça do Rossio até 24 de novembro. Comerciantes da capital manifestaram preocupação com possíveis impactos no comércio da região e com a realização de um mercado de Natal previsto para o local a partir de 14 de novembro.
Dados do Pordata, mantido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, indicam que o custo da habitação em Portugal aumentou 41,5% entre 2020 e 2025. Segundo o levantamento, foi o maior aumento entre os países da União Europeia, cuja alta média no período foi de 3,2%. A Grécia registrou aumento de 37,8% e ficou em segundo lugar no ranking citado.
Um relatório divulgado pelo Conselho Europeu em parceria com o Deustche Bank apontou que o aluguel de um imóvel em Lisboa equivale, em média, a 116% do salário médio de um habitante da capital. O estudo analisou 22 cidades, incluindo Paris, Roma, Madri e Berlim. Lisboa foi apontada como a única cidade pesquisada em que o rendimento médio não é suficiente para pagar o aluguel.
O mesmo estudo considera que o ideal é que os aluguéis correspondam, no máximo, a 30% dos salários. Uma das porta-vozes do movimento é a ativista brasileira Priscila Valadão, que também tem cidadania portuguesa. Ela vive em Portugal há 12 anos e relatou dificuldades para ajustar o aluguel ao orçamento mensal.
Segundo Valadão, um apartamento tipo loft, chamado de T0 em Portugal, custa pelo menos 1.500 euros no centro de Lisboa, enquanto o salário mínimo português é de 920 euros. Mesmo após mais de uma década no país, ela afirmou que ainda precisa recorrer a estratégias para pagar o aluguel e atualmente vive longe do centro da capital, dividindo um imóvel.




