Goias

Minaçu inicia novo ciclo mineral com produção comercial de terras raras

Por • Publicado em 8 de novembro de 2026 • Atualizado em 8 de novembro de 2026 • 3 min de leitura
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Município do Norte de Goiás passou décadas ligado à exploração de amianto e agora abriga a única operação brasileira de terras raras em produção comercial

Minaçu, no Norte de Goiás, iniciou uma nova fase de sua atividade mineral com a operação Pela Ema, da Serra Verde, que começou a produção comercial de terras raras em janeiro de 2024. O município também mantém a herança econômica e social de quase seis décadas de exploração de amianto em Cana Brava.

A jazida de amianto crisotila de Cana Brava foi descoberta em 1962, e a produção começou em julho de 1967, inicialmente em uma usina piloto. A instalação da mineradora atraiu trabalhadores, comércio e serviços e contribuiu para a formação do núcleo urbano de Minaçu, que conquistou a emancipação em 1976.

No início dos anos 1980, registros oficiais mencionavam cerca de 2 mil empregados ligados à mina. A companhia também participou da implantação de energia elétrica, estradas, escolas, hospital e outros serviços locais. Cana Brava transformou Goiás no principal produtor brasileiro de amianto e chegou a produzir centenas de milhares de toneladas por ano.

A atividade, porém, também foi associada a riscos à saúde. A exposição às fibras de amianto está relacionada a asbestose, câncer de pulmão e mesotelioma. Em levantamento nacional da Fundacentro com 1.333 trabalhadores expostos ao mineral, 356 apresentaram doenças relacionadas ao amianto.

Em setembro de 2026, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a lei goiana que permitia a extração de crisotila exclusivamente para exportação. O tribunal não aprovou prazo para adiar os efeitos da decisão.

Enquanto o ciclo do amianto se aproxima do fim, Minaçu passou a abrigar a Serra Verde, atualmente a única operação brasileira de terras raras em produção comercial. O projeto extrai principalmente neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, elementos utilizados em ímãs permanentes de alta potência para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas aeroespaciais e tecnologias de defesa.

Segundo o Governo de Goiás, a Serra Verde mantém cerca de 400 empregados, aproximadamente 70% deles moradores da região. Levantamentos mais amplos, que incluem outros vínculos ligados à operação, apontam impacto próximo de mil postos de trabalho. Durante a implantação, o projeto chegou a mobilizar mais de mil trabalhadores e prestadores de serviços.

Em 2026, a empresa obteve financiamento de US$ 565 milhões da agência norte-americana DFC para otimizar e ampliar a operação. Uma segunda fase poderá praticamente dobrar o volume de minério processado antes de 2030.

Até novembro de 2025, Minaçu havia recebido aproximadamente R$ 8,57 milhões em royalties da mineração, a CFEM. Estudo federal calculou que, somente em 2025, as terras raras geraram cerca de R$ 1,9 milhão em CFEM, enquanto a exploração de amianto recolheu aproximadamente R$ 11,7 milhões. Os dados indicam que a nova atividade ainda não alcançou o peso econômico acumulado pelo amianto no município.

Redação

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