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Setor Sul preserva traçado de cidade-jardim planejado nos anos 1930 em Goiânia

Por • Publicado em 8 de novembro de 2026 • Atualizado em 8 de novembro de 2026 • 3 min de leitura
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Ruas curvas, vias radiais e numerosos cul-de-sacs foram concebidos para separar o tráfego de veículos das áreas residenciais; ocupação alterou a proposta original

As ruas curvas, vielas e vias sem saída do Setor Sul, em Goiânia, fazem parte de um planejamento urbano desenvolvido enquanto a capital de Goiás ainda era criada. O projeto, detalhado em 1937 e incorporado ao plano aprovado em 1938, foi inspirado no conceito de cidade-jardim e previa áreas verdes, superquadras e circulação de pedestres integrada aos espaços residenciais.

O planejamento do Setor Sul foi iniciado a partir do trabalho de Attílio Corrêa Lima, responsável pelo primeiro plano de Goiânia. Posteriormente, Armando Augusto de Godoy participou de ajustes e da expansão do projeto, com influência especialmente marcada no desenho do bairro.

A proposta se diferenciava do traçado baseado apenas em ruas retas e quarteirões convencionais. O plano previa vias sinuosas, áreas verdes, grandes jardins no interior das quadras e ruas locais terminadas em cul-de-sac — expressão usada para designar vias sem saída. A hierarquia planejada destinava às avenidas o tráfego mais intenso, enquanto as ruas locais atenderiam principalmente os moradores.

O objetivo era reduzir a circulação de automóveis nas áreas residenciais e, com isso, diminuir barulho, poeira e riscos de acidentes. As curvas também acompanhariam a topografia e contribuiriam para um traçado considerado mais orgânico. O projeto previa ainda escolas, playgrounds, equipamentos comunitários e áreas de convivência integrados aos parques internos.

Uma das referências associadas ao desenho foi Radburn, comunidade planejada em Nova Jersey, nos Estados Unidos, em 1929 por Clarence Stein e Henry Wright. O modelo separava a circulação de carros e pedestres: as casas eram agrupadas ao redor de ruas sem saída, enquanto parques e caminhos internos conectavam as residências.

No Setor Sul, a proposta original previa que a fachada principal das casas ficasse voltada para os jardins internos. As ruas sem saída funcionariam como áreas de fundos, destinadas principalmente ao acesso de automóveis, garagens e serviços.

A ocupação do bairro foi liberada em 1950, antes da conclusão de toda a infraestrutura planejada. Sem os jardins internos devidamente urbanizados e diante do costume de manter a entrada principal voltada para a rua, os moradores construíram as casas em sentido oposto ao desenho original. As residências passaram a se voltar para os cul-de-sacs, enquanto muros foram erguidos nos fundos, separando as construções das áreas verdes.

Informações sobre o bairro também relacionam a mudança à valorização do automóvel, às pressões imobiliárias e à ausência de regras capazes de assegurar a implantação integral do modelo. A partir da década de 1970, o Projeto CURA buscou recuperar e equipar parte dessas áreas.

Quase 90 anos depois do planejamento inicial, elementos do traçado continuam visíveis. A Praça do Cruzeiro, as vias radiais, a Rua 90, as curvas e numerosos cul-de-sacs permanecem no bairro. Áreas como o Bosque dos Pássaros também preservam parte da presença dos espaços verdes previstos no projeto. A configuração atual combina o desenho modernizador dos anos 1930 com as adaptações feitas ao longo das gerações de moradores.

Redação

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