Meta terá 24 horas para apresentar relatório sobre o “Exército do Lula”; Google e X também deverão informar sobre possível amplificação coordenada
Segundo reportagem publicada no portal O GLOBO, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fará nesta sexta-feira, às 11h, uma reunião fechada com representantes de plataformas digitais para tratar da atuação das empresas no segundo turno das eleições. O encontro ocorre um dia após o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, determinar que a Meta examine possíveis irregularidades no canal “Exército do Lula”.
A reunião será realizada no gabinete da presidência do TSE e contará com representantes de X, Meta, Google, TikTok e Kwai. Também participarão os ministros responsáveis pela análise de processos relacionados à propaganda eleitoral: André Mendonça, Estela Aranha e Marco Aurélio Bellizze.
O canal “Exército do Lula” é administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Na decisão, Nunes Marques deu prazo de 24 horas para que a Meta apresente um relatório técnico detalhado sobre o funcionamento do canal, que reúne milhões de seguidores.
A determinação atendeu a um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que acusa o canal de promover uma atuação coordenada para ampliar artificialmente o alcance de conteúdos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A alegação envolve possíveis padrões de sincronização de atividades, replicação sistemática de conteúdos e articulação entre contas, canais e plataformas.
A análise também deverá verificar eventuais anomalias estatísticas de engajamento, mecanismos de amplificação artificial e o uso de publicidade paga ou impulsionamento. Google e X deverão informar, no mesmo prazo, se identificaram amplificação coordenada de termos e hashtags entre os dias 18 e 20 de outubro.
O pedido foi apresentado após a campanha de Flávio Bolsonaro apontar que o canal teria orientado seguidores a pesquisar no Google a expressão “Bolsonaro mandou matar Lula” e a impulsionar hashtags no X.
Segundo o despacho, Nunes Marques afirmou que ainda não há elementos suficientes para analisar as medidas solicitadas pela campanha. O ministro também declarou que a mobilização de apoiadores é legítima e que a fiscalização deve distinguir essa atividade de eventuais comportamentos coordenados irregulares.
As plataformas deverão preservar os registros relacionados aos fatos. Depois da apresentação das informações, as partes e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão 24 horas para se manifestar. Só então os demais pedidos serão analisados.
O canal já havia sido alvo de uma ordem de suspensão de Nunes Marques, posteriormente revista pelo próprio ministro, após uma sequência de decisões conflitantes no tribunal e reuniões com representantes das campanhas.




