Candidatos também divergiram sobre saúde, segurança, economia e propostas para renegociação de dívidas
Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações sobre familiares, corrupção, o INSS e o Banco Master durante debate realizado na noite de domingo (18), na Band. O encontro foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos à Presidência nesta eleição.
Um dos principais embates ocorreu quando Flávio Bolsonaro cobrou explicações sobre Roberta Luchsinger, citada no caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. O candidato chamou o filho de Lula de “foragido”. Em resposta, Lula afirmou que caberia à Polícia Federal investigar e mencionou Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. O presidente disse ainda que seu filho prestaria depoimento e não se esconderia.
Lula também questionou uma suposta ligação de Flávio Bolsonaro com o chamado Careca do INSS e pediu explicações sobre a relação do adversário com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Flávio afirmou não ter “absolutamente nada a esconder” e levantou suspeitas sobre recursos relacionados a um filme sobre Lula e ao Instituto Lula.
A prisão de Lula também foi mencionada. Ao apontar para Sergio Moro e Deltan Dallagnol, presentes na plateia, Flávio afirmou: “Está aqui quem te prendeu”. O candidato ainda declarou que 73% dos presidiários votaram em Lula. O presidente defendeu a participação dos eleitores e respondeu com uma referência a Jair Bolsonaro.
No último bloco, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico, incluindo os familiares dos dois. O candidato do PL respondeu que não tinha nada a esconder.
Na área da saúde, Flávio prometeu levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o que chamou de “padrão Albert Einstein”, com prontuário único, telemedicina e inteligência artificial. Lula questionou se a proposta representaria privatização e criticou a atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia. Flávio reconheceu que a saúde não foi a melhor área da gestão do pai, mas defendeu a condução da crise sanitária.
Na segurança, Flávio defendeu reduzir a maioridade penal para 14 anos em crimes hediondos, ampliar vagas em presídios e adotar castração química para estupradores e pedófilos. Lula citou a lei antifacção e defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública. Os dois também divergiram sobre as saídas temporárias de presos.
Na economia, Flávio propôs manter o Bolsa Família e renegociar dívidas por meio da compra de débitos dos bancos, com congelamento por seis meses para pessoas físicas e carência de um ano para empresas. Lula afirmou que o governo já realiza ações de renegociação e defendeu a valorização do salário mínimo e das aposentadorias.
Os candidatos ainda discutiram o fim da escala 6×1. Ao final, houve interrupções durante as considerações finais dos dois. Lula e Flávio Bolsonaro voltarão a se enfrentar no debate da TV Globo, na sexta-feira (23), dois dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25).



