Economia

Audiência no Senado debate impacto de tarifas dos EUA sobre soberania e exportações brasileiras

Por • Publicado em 23 de outubro de 2026 • Atualizado em 23 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Senado Federal

Participantes também discutiram riscos e oportunidades associados às terras-raras e defenderam atenção às transições digital, energética e de defesa

A Comissão de Meio Ambiente do Senado (CMA) realizou uma audiência pública nesta quinta-feira (22) para discutir os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos e serviços estrangeiros, além dos riscos e das oportunidades relacionados à exploração de terras-raras no Brasil.

Durante a audiência, participantes avaliaram que as medidas comerciais dos Estados Unidos podem produzir efeitos econômicos e políticos e afetar a soberania nacional. O debate também abordou a exploração de minerais estratégicos e seus possíveis impactos ambientais.

A senadora Leany Lemos (PSB-DF), que presidiu a reunião e solicitou a audiência por meio do requerimento REQ 20/2026-CMA, afirmou que o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, passou a tratar a política comercial como instrumento para atingir interesses do país. Segundo a senadora, os Estados Unidos também encaram o Brasil como se fosse seu “quintal”.

De acordo com as informações apresentadas na audiência, desde março de 2025 os Estados Unidos vêm anunciando sucessivas tarifas para produtos e serviços estrangeiros que entram no país. Atualmente, 47,3% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão sujeitas a taxas extras de até 37,5%, que não existiam em 2024. Segundo o governo brasileiro, o valor estimado dessas exportações é de US$ 19,1 bilhões.

As taxas mais altas foram anunciadas em julho de 2025, quando algumas tarifas específicas chegaram a até 50%. O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Renato Baumann afirmou que o objetivo do tarifaço seria induzir negociações entre os países envolvidos para ampliar investimentos nos Estados Unidos.

Baumann também disse que a justificativa norte-americana considera que países sobretaxados prejudicam a indústria dos Estados Unidos ao exportarem mais para o país do que importam. Segundo o pesquisador, essa situação não se aplica ao Brasil, que registra déficit comercial com os Estados Unidos desde 2008. Ele classificou a estratégia norte-americana como eleitoral, ideológica e comportamental.

Na parte do debate dedicada às terras-raras, a doutora em ciência política Luíza Gimenez Cerioli afirmou que minerais como lítio, cobre, níquel, grafite, cobalto e terras-raras são fundamentais para as transições digital, energética e de defesa e espaço. O Brasil é considerado o país com a segunda maior reserva de terras-raras do planeta, atrás apenas da China. A audiência destacou que a exploração desses recursos reúne oportunidades econômicas e riscos ambientais.

Redação

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