Debate envolve disponibilidade de mão de obra, produtividade e oferta de alimentos; estimativa da ABPA aponta possível redução de 5% na disponibilidade de produtos nas gôndolas
A discussão sobre o fim da escala 6×1 levanta preocupações no agronegócio sobre a disponibilidade de trabalhadores, os custos de produção e a continuidade de atividades que exigem operação permanente, como a ordenha de vacas e o manejo de animais.
O tema foi discutido em um episódio do programa Radar Rural, com participação do comentarista Miguel Daoud. Ele defendeu a melhoria das condições de trabalho, mas avaliou que a redução da jornada deveria ser acompanhada de medidas para elevar a produtividade e reduzir os custos de contratação.
Segundo Daoud, produtores relatam dificuldades não apenas relacionadas ao custo dos funcionários, mas também à falta de trabalhadores disponíveis. Com a redução das horas trabalhadas, empresas e propriedades rurais poderiam precisar reorganizar escalas, contratar mais pessoas ou rever o volume produzido. Na avaliação do comentarista, essas alternativas podem pressionar a rentabilidade dos negócios.
Os efeitos, segundo a análise apresentada, tendem a variar de acordo com a atividade. A produção de leite foi citada como exemplo de operação que exige trabalho contínuo, inclusive aos fins de semana e feriados. Daoud também afirmou que setores com menor investimento em tecnologia e ganhos de produtividade podem enfrentar mais dificuldades para permanecer em funcionamento.
A possível repercussão sobre a oferta de alimentos também entrou na discussão. Segundo estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o setor poderia registrar redução de 5% na disponibilidade de produtos nas gôndolas em razão da menor oferta de mão de obra.
Daoud questionou ainda se a redução da jornada, isoladamente, seria suficiente para melhorar as condições dos trabalhadores. Para ele, problemas como informalidade e baixa renda precisariam ser enfrentados junto com a mudança na escala.
Entre as medidas defendidas pelo comentarista estão investimentos em tecnologia, qualificação profissional e educação, além de reformas para reduzir os custos de contratação. Na avaliação dele, sem mudanças estruturais, empresas poderiam perder rentabilidade, enquanto trabalhadores ficariam sujeitos ao desemprego ou à informalidade.




