Silvana Pereira Gimenes questionou o uso da expressão “nove dedos” em referência a Lula; secretaria afirmou que a saída ocorreu por “ajustes administrativos”
A socióloga Silvana Pereira Gimenes foi exonerada do cargo de coordenadora na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo em 27 de outubro, três dias depois de criticar nas redes sociais uma fala de Flávio Bolsonaro sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ato foi publicado no Diário Oficial em 28 de outubro.
Durante o debate presidencial da TV Globo, em 23 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) usou a expressão “nove dedos” ao se referir a Lula, em alusão ao dedo que o presidente perdeu em um acidente de trabalho. Lula cobrou uma retratação, e Flávio pediu desculpas.
No dia seguinte, Silvana publicou uma crítica à expressão e a relacionou ao preconceito contra pessoas com deficiência. Ela tem paralisia cerebral e afirmou, em uma publicação feita após deixar o cargo, que atua há 41 anos no serviço público. Segundo o relato, essa foi sua primeira exoneração nesse período.
A exoneração foi assinada em 27 de outubro e publicada no Diário Oficial no dia seguinte. A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência informou que o cargo era de livre nomeação e exoneração e atribuiu a decisão a “ajustes administrativos”. A pasta não detalhou quais mudanças teriam motivado a saída nem informou se a decisão havia sido tomada antes da publicação de Silvana.
As informações tornadas públicas não estabelecem uma relação entre a crítica feita pela servidora e a exoneração. O caso envolve uma decisão administrativa cuja justificativa apresentada pela secretaria foi genérica, sem detalhamento adicional sobre os ajustes mencionados.




