Moeda avançou 0,18% em meio a ajustes no câmbio, pesquisas eleitorais apertadas e pressão externa sobre divisas emergentes
O dólar à vista fechou em alta de 0,18% na quarta-feira (21), cotado a R$ 5,0279, interrompendo uma sequência de três pregões consecutivos de baixa. A moeda chegou a atingir R$ 5,0433 no início da tarde.
Segundo operadores citados nas informações divulgadas à imprensa, o movimento refletiu ajustes e realização de lucros em um cenário de disputa presidencial acirrada às vésperas do segundo turno e de condições desfavoráveis para moedas latino-americanas.
Nos três pregões anteriores, o dólar havia recuado 1,33% e se aproximado de R$ 5,00. Com o resultado da quarta-feira, a moeda acumulava baixa de 0,90% na semana e queda de 2,84% em outubro. No ano, a perda informada era de 8,40%.
O economista Fabrizio Velloni afirmou que o mercado vinha mais otimista nos últimos dias com a possibilidade de alternância de poder. Para ele, pesquisas mais apertadas contribuíram para manter o dólar acima de R$ 5,00.
Entre os levantamentos divulgados na quarta-feira, a pesquisa Quaest registrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto, ante 46% no levantamento anterior. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu com 44%, em cenário descrito como empate técnico.
Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital, avaliou que houve um ajuste técnico no câmbio após a divulgação da pesquisa Quaest. De acordo com ele, o movimento ocorreu em um quadro contrabalançado por outros levantamentos que apontavam, em média, vantagem de dois pontos para a oposição.
Guilherme Marques, diretor global de derivativos e câmbio da Hedgepoint Global Markets, classificou o comportamento recente do dólar como lateralizado, com a moeda pouco acima de R$ 5,00. Ele também afirmou que a alta dos juros dos Treasuries nos Estados Unidos seguia desfavorável para divisas emergentes e que medidas de volatilidade implícita indicavam possibilidade de oscilações mais fortes no câmbio após o segundo turno.
O Banco Central informou que o fluxo cambial total da semana passada, entre os dias 13 e 16, foi positivo em US$ 1,933 bilhão. Houve entrada líquida de US$ 1,889 bilhão pelo comércio exterior e de US$ 44 milhões pelo segmento financeiro. Na primeira semana após o primeiro turno, entre os dias 5 e 9, a entrada líquida pelo canal financeiro somou US$ 4,127 bilhões.




