Segundo levantamento citado pelo AgFeed, veículos cetipados e fundos de participação societária responderam pela maior parte do crescimento entre julho e setembro de 2026
Segundo reportagem publicada no portal AgFeed, o patrimônio total dos Fiagros alcançou R$ 88,2 bilhões em setembro de 2026, alta de 32,9% sobre os R$ 66,4 bilhões registrados em julho. O crescimento de R$ 21,8 bilhões ficou concentrado principalmente em fundos não listados na B3, como veículos cetipados e fundos de participação societária, de acordo com levantamento de Octaciano Neto, fundador da Zera.Ag.
Os Fiagros são fundos de investimento voltados às cadeias produtivas agroindustriais. Inicialmente impulsionado por fundos negociados na B3, o segmento passou a crescer sobretudo por meio de veículos registrados em ambiente de balcão e de estruturas classificadas como “outros”, segundo os dados apresentados na reportagem.
A maior parcela do mercado está na categoria “outros”, que reúne predominantemente fundos utilizados para participações societárias e estruturas patrimoniais. Esse grupo soma aproximadamente R$ 43 bilhões, valor equivalente a quase metade do mercado. Os fundos cetipados representam cerca de R$ 31 bilhões, enquanto os Fiagros listados na B3 permanecem próximos de R$ 14 bilhões.
Em 2023, os fundos listados haviam alcançado aproximadamente R$ 14 bilhões e correspondiam a uma parcela maior do mercado. Desde então, o patrimônio desse grupo praticamente não cresceu, enquanto os cetipados e os demais veículos ampliaram sua participação.
Octaciano Neto afirmou que os veículos têm usos distintos. Segundo ele, os fundos listados concentram renda e crédito; os cetipados são basicamente voltados ao crédito; e os classificados como “outros” são usados majoritariamente para participação societária.
O professor Luiz Caffagni, pesquisador de fundos de investimento ligado à FGV Agro, identificou, com base em informações públicas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), alguns dos veículos que contribuíram para o aumento patrimonial desde julho. Entre eles estão fundos lançados por Itaú, BTG Pactual e XP.
Em setembro, o XP CDI CRA registrou R$ 5,30 bilhões; o Itaúba Fiagro, R$ 3,46 bilhões; e o Fiagro BTG Pactual I, R$ 2,21 bilhões. Outros dois fundos da XP, o CDI 94 CRA I e o CDI 95 CRA I, registraram R$ 1,80 bilhão cada.
O JMF Fundo de Investimento em Participações e outro fundo de participações em cadeias produtivas passaram de aproximadamente R$ 2,17 bilhões em julho para R$ 5,34 bilhões cada em setembro. Considerando os valores do levantamento, esses sete veículos responderam por aproximadamente R$ 20 bilhões da variação patrimonial registrada no período.
A elevação do patrimônio não corresponde necessariamente a novas captações. Parte da variação pode estar relacionada a transferências de ativos, reorganizações societárias ou alterações nos registros dos fundos. Caffagni afirmou que oscilações dessa magnitude exigem a identificação individual dos fundos.




