Economia

Mercosul abre possibilidade de expansão das exportações agropecuárias de Goiás

Por • Publicado em 18 de outubro de 2026 • Atualizado em 18 de outubro de 2026 • 3 min de leitura
Jornal Opção

Autorização para produtores de Britânia exportarem melancia, melão e abóbora amplia o número de municípios habilitados, mas negócios dependem de compradores, escala e logística

A proximidade com países do Mercosul pode ajudar Goiás a diversificar os destinos de suas exportações agropecuárias e ampliar a participação dos municípios do interior no comércio exterior. A expansão, porém, depende de logística, padronização, capacidade de fornecimento e acesso a compradores.

As vendas goianas para os países do Mercosul ainda representam uma parcela relativamente pequena do comércio exterior do Estado, que tem concentração principalmente em mercados asiáticos. Entre as possibilidades de crescimento está a exportação de produtos agroindustriais e de derivados de grãos, além de frutas e hortaliças.

Em Britânia, produtores receberam autorização para exportar melancia, melão e abóbora. Segundo José Ricardo Caixeta Ramos, presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), a habilitação foi precedida por um trabalho de monitoramento fitossanitário para controlar a mosca-das-frutas, praga que pode impedir a entrada de produtos vegetais em determinados mercados.

O procedimento inclui o acompanhamento das áreas produtoras e a apresentação de relatórios oficiais. De acordo com Caixeta, o monitoramento precisa ser realizado por pelo menos seis meses. No caso de Britânia, o acompanhamento durou quase um ano, segundo o presidente da Agrodefesa.

Com a inclusão do município, Goiás passou a contar, segundo a Agrodefesa, com 20 municípios habilitados a exportar essas cucurbitáceas para os mercados contemplados pelo processo. Entre os destinos estão países do Mercosul e os Emirados Árabes Unidos.

A autorização fitossanitária, no entanto, não garante a concretização de negócios. Os produtores ainda precisam encontrar compradores, organizar o fornecimento e estruturar o transporte. Também são necessários profissionalização, uso de tecnologia, qualidade, padronização e volume suficiente para atender à demanda, conforme avaliação atribuída a Caixeta.

O presidente da Agrodefesa também relacionou a abertura de novos destinos à possibilidade de melhorar a remuneração dos agricultores e movimentar a economia dos municípios do interior, desde que as oportunidades resultem em contratos e embarques regulares.

Segundo Caixeta, cerca de 33 mil toneladas de melancia foram exportadas por Goiás em 2025 para os mercados mencionados durante a entrevista. Ele apontou que a expansão exige atenção às diferenças entre os destinos e à capacidade de fornecimento.

O transporte para o Mercosul pode ser facilitado pela proximidade de países como Paraguai, Argentina e Uruguai, com possibilidade de uso da modalidade rodoviária. Já operações para mercados mais distantes, como os Emirados Árabes Unidos, apresentam maior complexidade logística, conforme a avaliação apresentada na entrevista.

Redação

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