Empresa diz ter analisado 1.204 publicações, rotulado 270 como conteúdo sintético e retirado 720 da recomendação
Segundo reportagem publicada no portal JOTA Info, a Meta informou ao ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que aplica critérios idênticos às publicações das candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A empresa também pediu uma reunião com o ministro, marcada para as 18h de terça-feira (20/10).
A manifestação ocorreu após Bellizze determinar que a Meta se pronunciasse em 24 horas e comprovasse que não havia favorecimento a Flávio Bolsonaro, conforme alegação da campanha do PT. A decisão foi tomada em liminar concedida na quinta-feira (15/10), com previsão de multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.
A campanha de Lula afirmou haver restrição seletiva na entrega de conteúdos, falhas no impulsionamento contratado, anúncios políticos pagos por contas estrangeiras, circulação de redes inautênticas e conteúdos produzidos por inteligência artificial sem identificação. Essas são alegações da campanha, e não conclusões apresentadas no material consultado.
Em resposta, a Meta negou seletividade e afirmou que adota regras e critérios isonômicos para as duas candidaturas. A empresa disse ainda que não restringe o alcance de conteúdos de campanhas. Segundo a Meta, foram retirados da recomendação conteúdos orgânicos publicados nos perfis oficiais, sem restrição para contas que não sejam perfis oficiais.
A empresa explicou ao TSE que, por causa da arquitetura técnica das plataformas, uma publicação feita em colaboração é considerada um objeto único, e não duas publicações independentes. Por isso, a regra de não recomendação incidiria sobre a publicação como um todo, inclusive quando ela aparece no perfil oficial. A Meta informou ter oferecido ao tribunal a possibilidade de recomendar a publicação colaborativa integralmente, mas apontou que essa alternativa poderia entrar em conflito com a resolução do TSE sobre propaganda eleitoral.
Sobre a Meta AI, a empresa afirmou que aplica o mesmo critério às candidaturas. O tema ganhou repercussão após circularem nas redes sociais alegações de que a ferramenta criava conteúdo para Flávio Bolsonaro, mas recusava produzir imagem semelhante para Lula.
De acordo com os números apresentados pela Meta, 1.204 publicações foram analisadas. Desse total, 270 foram rotuladas como conteúdo sintético, 720 foram indisponibilizadas e 214 foram identificadas como não relacionadas a conteúdo eleitoral.



