Projeto prevê integração entre Prodes e Deter, uso de inteligência artificial e expansão dos alertas para Caatinga, Mata Atlântica e Pampa
O Fundo Amazônia destinará R$ 147,6 milhões ao projeto Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas), com execução técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A iniciativa terá prazo de 60 meses e utilizará inteligência artificial e aprendizado de máquina para ampliar o monitoramento ambiental.
O anúncio ocorreu na sexta-feira (16), durante a apresentação de novos dados de desmatamento. O projeto foi aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do Fundo Amazônia, em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O apoio é não reembolsável e a execução ficará a cargo da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate).
Entre as medidas previstas está a integração do Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia (Prodes) com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). A proposta é reunir a precisão espacial do Prodes e a velocidade do Deter, com automação da análise de imagens, geração de alertas e produção de dados intra-anuais.
O Deter deverá ser expandido para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa. Atualmente, segundo as informações divulgadas sobre o projeto, o monitoramento diário de supressão e degradação ambiental é realizado na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.
O SIM-Biomas também prevê o aumento da resolução do monitoramento de áreas queimadas. Fora do Cerrado, o sistema nacional opera atualmente com resolução espacial de 1 quilômetro. A nova metodologia deverá permitir o mapeamento das cicatrizes de queimadas com resolução de 30 metros em todos os biomas brasileiros.
Outro componente será o Subsistema de Inteligência Territorial, que combinará informações sobre desmatamento, degradação, recuperação da vegetação, dados fundiários, socioeconômicos e climáticos para produzir indicadores de risco de curto prazo. O projeto inclui ainda medições atmosféricas de gases de efeito estufa na Amazônia e a criação da plataforma pública TerraBrasilis++, com mapas, gráficos, alertas e indicadores.
Na apresentação dos dados, o Inpe informou que o desmatamento na Amazônia caiu 41,8%, de 5.731 km² para 3.335 km², entre agosto de 2025 e julho de 2026. No Cerrado, a redução foi de 23,8%, de 7.235,27 km² para 5.516,69 km² no mesmo período.
O Fundo Amazônia soma ainda R$ 521 milhões contratados para ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas em 14 estados e três biomas.




