Felippe Serigati, do FGV Agro, aponta possíveis impactos sobre diesel, inflação, juros e crédito para produtores e empresas
A cotação do dólar acima de R$ 5,60 pode aumentar os custos de combustíveis e pressionar os preços no agronegócio, segundo avaliação do pesquisador Felippe Serigati, do FGV Agro. Para ele, a valorização da moeda americana também pode dificultar a redução dos juros no Brasil.
A análise foi feita após a alta do dólar associada à reação do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No período descrito, a moeda americana ultrapassou R$ 5,60, enquanto a bolsa brasileira registrou queda e teve as negociações interrompidas temporariamente pelo mecanismo conhecido como circuit breaker.
Segundo Felippe Serigati, o movimento refletiu uma correção nos preços dos ativos financeiros, já que parte dos investidores trabalhava com expectativas diferentes para o resultado eleitoral. O pesquisador também afirmou que a volatilidade não pode ser atribuída exclusivamente ao cenário político brasileiro, porque o mercado nacional precisava absorver mudanças ocorridas na economia internacional ao longo de outubro.
Um dos principais riscos apontados é o impacto sobre o diesel, usado no transporte de cargas e nas operações agropecuárias. De acordo com Serigati, o mercado brasileiro já enfrentava uma diferença entre os preços domésticos e os custos de importação do combustível. Em determinadas condições de comercialização, essa diferença ultrapassava R$ 3 por litro, o que tornava economicamente inviável a importação para algumas empresas.
Com o dólar mais valorizado, o custo de trazer diesel do exterior tende a aumentar, na avaliação do pesquisador, ampliando a pressão por reajustes no mercado interno. A possível elevação dos combustíveis poderia pressionar a inflação e afetar as expectativas para as taxas de juros. Nesse cenário, empresas e produtores rurais poderiam enfrentar crédito mais caro e aumento de custos.
Serigati também citou a elevação das taxas de juros futuros em mercados internacionais, com destaque para Estados Unidos e França, e um ambiente de maior aversão ao risco. Segundo ele, esses movimentos podem aumentar a atratividade de investimentos no exterior e pressionar ativos de países considerados emergentes, como o Brasil.




