Índice terminou o pregão de 29 de outubro de 2026 aos 169.186,42 pontos, em meio à cautela sobre a agenda fiscal e o comando do Ministério da Fazenda
O Ibovespa encerrou o pregão de 29 de outubro de 2026 em queda de 1,06%, aos 169.186,42 pontos. Foi a quarta sessão consecutiva de baixa do principal índice da Bolsa brasileira, que chegou a atingir 168.765,35 pontos, com recuo de 1,31%, antes de reduzir as perdas no fim do dia.
O giro financeiro do pregão somou R$ 31 bilhões. Na semana, a queda acumulada do índice chegou a 17,5%. No mês, o recuo estava em 9,2%. Desde a definição do segundo turno das eleições, a valorização acumulada no ano passou a 5%, após a devolução de parte dos ganhos registrados anteriormente.
A movimentação ocorreu em um cenário de cautela dos investidores em relação à agenda fiscal do novo governo Lula e às especulações sobre uma possível mudança no comando do Ministério da Fazenda. O índice reduziu as perdas na reta final do pregão em meio a informações sobre uma eventual alteração na equipe econômica.
Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o mercado busca sinais sobre a condução da política econômica. Segundo a avaliação atribuída a ele, a possibilidade de Rafael Fonteles assumir o Ministério da Fazenda poderia ser mais bem recebida pelos investidores. A fonte também registrou que operadores e analistas mantêm uma avaliação de incerteza.
O humor do mercado também foi influenciado por declarações atribuídas a Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, em uma rede social. De acordo com o conteúdo divulgado, Boulos afirmou que a defesa de um ajuste fiscal com corte de gastos sociais contrariaria o resultado da eleição.
João Oliveira, head da mesa de operações da Moneycorp, avaliou que a desvalorização do Ibovespa ao longo da semana ocorreu diante da falta de sinais claros sobre o controle das contas públicas e a trajetória do déficit fiscal. Segundo ele, as discussões concentradas em alternativas de aumento da arrecadação por meio de impostos ampliam a incerteza e afetam a confiança dos investidores.
Roberto Moura, sócio e head de renda variável da Grand Capital Invest, atribuiu o movimento a uma busca por equilíbrio após um forte fluxo vendedor, o fechamento de posições e resgates. Ele também apontou a incerteza sobre os próximos passos da política monetária do Banco Central como um fator acompanhado pelo mercado.




