Karem Murielly de Jesus Oliveira foi julgada pelo Tribunal do Júri; Justiça manteve prisão preventiva e negou direito de recorrer em liberdade
Karem Murielly de Jesus Oliveira, de 34 anos, foi condenada a 27 anos e seis meses de prisão pelo assassinato da própria mãe, Maria de Lourdes Alves de Jesus, de 62 anos, em Guapó, na Região Metropolitana de Goiânia. O julgamento ocorreu na quinta-feira (22), pelo Tribunal do Júri.
De acordo com informações apresentadas no processo, o crime ocorreu em 25 de janeiro, após uma discussão relacionada ao corte de cabelo da filha de Karem, uma criança de 5 anos. Mãe e filha moravam na mesma residência com a menina.
A condenação reconheceu o feminicídio e as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e uso de recurso que impediu a defesa da vítima. Segundo a investigação, Maria de Lourdes foi atingida por mais de 40 golpes de faca. O laudo cadavérico apontou ferimentos em diferentes partes do corpo, inclusive em regiões vitais, além de sinais de defesa.
A sentença determinou o cumprimento inicial da pena em regime fechado e fixou indenização mínima aos familiares, por danos morais, equivalente a 30 salários mínimos. A juíza Luciane Cristina Duarte da Silva manteve a prisão preventiva e negou à condenada o direito de aguardar em liberdade eventual recurso.
Em depoimento à Polícia Civil, Karem afirmou que a mãe havia ingerido veneno para rato e pedido ajuda. Também relatou que Maria de Lourdes a teria ferido no pé com uma faca e que a criança teria pegado a arma branca para que ela matasse a avó. Segundo a investigação, Karem admitiu o assassinato.
O delegado André Veloso afirmou, à época, que havia indícios de que a criança tivesse presenciado o crime. Após o assassinato, Karem teria permanecido por algumas horas na casa e saído levando a filha. Conforme informações reunidas pelo Ministério Público, ela teria telefonado para uma testemunha e confessado o crime, dizendo que pretendia fugir para outro estado. A mulher foi localizada no mesmo dia por policiais militares, na casa de parentes em Goiânia. Ela foi presa em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva no dia seguinte.
Informações apresentadas durante o processo também apontaram conflitos antigos entre mãe e filha. Maria de Lourdes teria obtido uma medida protetiva contra Karem, mas pedido a revogação meses depois. A denúncia do Ministério Público sustentou que o crime ocorreu dentro da residência em que as duas viviam, em contexto de violência doméstica.



