Pesquisadora apresentou efeitos do calor sobre fertilidade e produção de leite e recomendou medidas de manejo para reduzir o impacto
O 4º Seminário de Bovinocultura de Leite foi realizado em Boa Vista das Missões, no Rio Grande do Sul, com debates sobre estresse térmico, mercado, sucessão familiar, bem-estar animal e manejo na produção leiteira. O evento teve participação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Durante o seminário, a médica veterinária e pesquisadora Adriana Tarouco, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Seapi (DDPA/Seapi), apresentou a palestra “Estresse térmico: problema para o rebanho leiteiro do RS?”. Segundo a pesquisadora, o calor afeta diretamente a fertilidade e a produção de leite.
Na apresentação, Adriana afirmou que, no período quente, a taxa de prenhez pode cair dos níveis de 40% e 60% para 10% e 20%. Ela também apontou uma perda estimada de 3,9 quilos de leite por vaca por dia quando o Índice de Conforto Térmico (ITU) fica entre 80 e 89.
A pesquisadora apresentou ainda dados sobre o risco de estresse térmico no Rio Grande do Sul. De acordo com ela, o verão concentra a maior exposição, com média de 41% das horas em situação de estresse leve a moderado. Nas regiões do Baixo Vale do Uruguai, Vale do Uruguai e Missioneira, consideradas as mais afetadas na apresentação, o ITU máximo chegou a 87,0.
Também foi informado que, no outono e na primavera, o tempo em situação de estresse aumentou de 2022 a 2024. No inverno, o risco de calor foi considerado baixo nas dez regiões avaliadas em 2026, com necessidade de proteção contra o frio.
Entre as medidas apresentadas estão a oferta de sombra, ventilação e resfriamento, além do fornecimento de alimentação em horários mais frescos. A recomendação para o consumo de água foi de 50 a 60 litros por unidade animal por dia. Adriana também destacou a necessidade de atenção a vacas secas e novilhas.
O monitoramento, segundo a pesquisadora, deve combinar índices como o ITU, a observação do rebanho e a orientação técnica.
Promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS) e pelo Sistema Farsul, com apoio do Sindicato Rural de Palmeira das Missões (SRPM), o seminário também tratou de mercado de leite, sucessão familiar e bem-estar animal. Durante a tarde, produtores acompanhados por técnicos apresentaram experiências da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-RS, com foco em gestão, sistemas produtivos e estratégias de lucratividade.
Os debates reuniram produtores das regiões do Planalto Médio e do Alto e Médio Vale do Uruguai atendidos por técnicos do Senar-RS. A programação incluiu ainda a divulgação da ferramenta BovConfort para cálculo do




