Documento enviado a órgãos do governo americano afirma que observadores internacionais não tiveram dúvidas sobre o resultado e cita 34 mil votos registrados após as 17h
Relatório diplomático da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições brasileiras. O documento afirma que a diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos e que observadores internacionais não manifestaram dúvidas sobre o resultado.
O relatório foi enviado na segunda-feira, 26, a órgãos do governo dos Estados Unidos, incluindo o Departamento de Estado. Intitulado “Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar”, o documento descreve a votação como majoritariamente pacífica, apesar de problemas logísticos registrados em algumas regiões do país.
De acordo com o documento, houve dificuldades de acesso a locais de votação e interrupções no transporte público em áreas do Nordeste e do Sul. As campanhas dos dois candidatos teriam solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do horário de votação. A medida foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), com extensão de duas horas além do encerramento previsto para as 17h.
O relatório registra que a decisão provocou confusão em algumas seções eleitorais, que não teriam recebido a determinação a tempo. Ainda assim, segundo dados atribuídos ao TSE, 34 mil votos foram registrados depois das 17h, incluindo eleitores que já estavam nas filas no horário inicialmente previsto para o encerramento. O volume corresponde a aproximadamente 0,03% dos votos e, conforme a avaliação apresentada no documento, não seria suficiente para modificar a diferença entre os candidatos.
A representação americana também atribui ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, a avaliação de que a ampliação do horário não teve influência significativa sobre o resultado. O relatório afirma que observadores internacionais consideraram a decisão mal administrada, mas avaliaram que o processo eleitoral ocorreu de forma organizada.
As missões da Organização dos Estados Americanos (OEA), ainda conforme o documento, disseram não ter “nenhuma dúvida sobre os resultados”, embora tenham apontado problemas na comunicação interna entre os responsáveis pela organização da votação.
A avaliação registrada pela embaixada contrasta com declarações públicas de Donald Trump em 29. Embora tenha afirmado que pretendia conversar com Lula, o presidente dos Estados Unidos classificou a eleição como uma “vergonha” e evitou responder se reconhecia o petista como vencedor legítimo da disputa.




