Registros históricos retratam mudanças na paisagem da capital, com obras de canalização, demolição do antigo mercado e substituição de casas por edifícios
Fotografias, documentos e pesquisas recuperam aspectos de Goiânia há pouco mais de 90 anos, quando a cidade tinha ruas de terra, casas baixas e áreas verdes. Entre os locais que passaram por mudanças estão o Córrego Botafogo, o Mercado Central e a Rua 20, no Setor Central.
Antes de ser acompanhado por pistas, pontes e estruturas de concreto, o Córrego Botafogo fazia parte da paisagem natural de Goiânia. Durante os primeiros anos da cidade, o curso d’água chegou a abastecer a população e era considerado relevante para a estruturação da nova capital.
O primeiro plano urbanístico de Goiânia, elaborado pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, previa uma faixa de vegetação de aproximadamente 50 metros de cada lado do córrego. A área teria a função de proteger a água e preservar espaços verdes e de lazer.
A relação com o curso d’água mudou com o crescimento urbano. Em 1962, uma lei municipal autorizou a canalização do Botafogo em toda a extensão da zona urbana. As obras de retificação e canalização avançaram na década de 1970. Já no início dos anos 1990, a construção da Marginal Botafogo acrescentou pistas expressas, pontes e estruturas de drenagem ao fundo de vale.
Apesar da alteração da paisagem, o córrego continua recebendo água das nascentes e das chuvas, de acordo com as informações tornadas públicas sobre a história da região.
No quarteirão onde atualmente está o Parthenon Center, no Setor Central, funcionava o Mercado Central de Goiânia. Inaugurado em 1950, o espaço reunia bancas de alimentos, produtos do campo e pequenos comerciantes. O local oferecia carnes, frutas, verduras, cereais, queijos, temperos e outros produtos.
O mercado também aproximava produtores do interior, comerciantes e consumidores. O destino da área começou a mudar em 1971, quando uma lei municipal autorizou a doação do terreno para a construção de um empreendimento, com exigências que incluíam a instalação de garagens ou estacionamentos. O antigo mercado foi demolido em 1974, segundo registros associados à história do local.
Em 1976, foi inaugurado no terreno o Parthenon Center, com salas comerciais e vários pavimentos de estacionamento.
Outro endereço ligado aos primeiros anos da cidade é a Rua 20, no Setor Central. Pesquisas acadêmicas e publicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a apontam como a primeira rua construída da Goiânia planejada. Algumas das primeiras casas da nova capital surgiram na região, na década de 1930.
A via integra o núcleo pioneiro próximo à Praça Cívica e às avenidas Goiás, Araguaia e Tocantins. No número 19, fica o imóvel que hoje abriga a Casa da Memória da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Justiça Federal. O prédio é associado ao período de instalação da administração estadual na nova capital.
A Rua 20, contudo, não é apresentada como a rua mais antiga de todo o território que hoje forma Goiânia. Campinas, incorporada posteriormente à capital, já tinha ruas, casas e comércio antes de 1933. Também existem divergências em pesquisas sobre a identificação exata da antiga sede provisória do governo estadual.
Ao longo do tempo, casas da Rua 20 deram lugar a edifícios, estacionamentos e imóveis comerciais. Residências históricas e espaços de preservação permanecem como referências dos primeiros anos da cidade.




