Produção percorre o São Miguel, o Cemitério Parque e o Memorial Parque e questiona como são destinados recursos arrecadados nos espaços públicos
Um documentário lançado em 1º de novembro de 2026 apresenta diferenças entre o Cemitério São Miguel, o Cemitério Parque e o Memorial Parque, em Anápolis, e questiona a destinação dos recursos relacionados aos dois cemitérios públicos.
Intitulado “A Segregação do Luto nos Cemitérios de Anápolis”, o documentário foi gravado na quinta-feira (29) e finalizado na sexta-feira (30), segundo as informações divulgadas sobre a produção. O trabalho foi apresentado por Pedro Balduíno, com roteiro, argumento e direção de Danilo Boaventura. A produção é da Gato do Mato.
A obra percorre três endereços: o Cemitério São Miguel, na região Central; o Cemitério Parque; e o Memorial Parque, de administração privada, localizado no extremo Leste. A produção descreve os locais como ambientes com estruturas, manutenção e perfis de público distintos.
No São Miguel, o documentário afirma que não há espaço disponível para novos sepultamentos e que os enterros são destinados a pessoas com jazigos de família. Durante a visita realizada no dia 29, a equipe registrou famílias limpando túmulos, profissionais contratados para o serviço e comércio de flores, velas e terços na entrada. Também foi relatada a antecipação da visita por parte de pessoas que pretendiam evitar o movimento do dia 2.
Sobre o Cemitério Parque, a produção descreve menor presença de visitantes, comércio considerado mais popular e limpeza realizada com uma equipe pequena. A manutenção é atribuída à Quebec Ambiental, empresa que também responde pela coleta de lixo e pelo aterro sanitário da cidade, conforme o conteúdo divulgado. Em setembro, presos do Programa Segunda Chance participaram de um mutirão de limpeza no São Miguel e no Parque, ainda segundo a produção.
O Memorial Parque é apresentado com gramado, árvores e lápides padronizadas. O documentário destaca a ausência de mausoléus e de sobrenomes em evidência no espaço privado.
A produção também consultou a Lei Orçamentária de 2026 e o Portal da Transparência para verificar a arrecadação e as despesas dos cemitérios públicos. De acordo com as informações divulgadas, o orçamento municipal de R$ 2,59 bilhões não separa os valores arrecadados nos cemitérios nem os recursos destinados a eles. Os pagamentos das famílias seriam registrados em uma conta geral de taxas, enquanto as despesas sairiam do caixa geral da Secretaria de Serviços Urbanos.
Danilo Boaventura afirmou que o documentário foi realizado pela proximidade do Dia de Finados e defendeu a discussão sobre a destinação de recursos para a manutenção dos espaços. A produção também apresenta exemplos de São Paulo e do Rio de Janeiro após a transferência da administração de cemitérios para empresas, mas o material fornecido não detalha os resultados desses modelos.




