Segundo O GLOBO, integrantes da equipe apontaram falta de propostas, respostas pouco firmes e sinais de cansaço durante o confronto da Band; aliados também cobraram mudanças
Segundo reportagem publicada no portal O GLOBO, o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva no debate da Band ampliou as críticas à comunicação da campanha à reeleição, liderada pelo ministro da Secretaria da Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Integrantes da equipe avaliaram que o presidente apresentou poucas propostas, respondeu de forma pouco firme a acusações de Flávio Bolsonaro e transmitiu sinais de cansaço em alguns momentos.
Sidônio Palmeira foi responsável pela preparação de Lula para o debate e acompanhou o presidente nos bastidores. Durante os intervalos, o ministro foi até o púlpito para conversar com Lula. Segundo a apuração publicada pelo O GLOBO, ele questionou Flávio por permanecer atrás do presidente durante as respostas e discutiu com integrantes da equipe do candidato do PL. Vídeos dos bastidores teriam mostrado Sidônio nervoso, e Lula teria pedido que ele se acalmasse em um dos intervalos.
Integrantes da campanha avaliam que a postura do ministro transmitiu nervosismo ao presidente. As críticas à comunicação, segundo O GLOBO, já vinham desde o primeiro turno e envolveram o tom da propaganda eleitoral centrada no legado de Lula. As cobranças também aumentaram após o resultado da primeira etapa da disputa, quando Flávio terminou à frente do atual presidente.
As críticas a Sidônio estiveram entre os temas de uma reunião do PT realizada dois dias depois do primeiro turno, com a participação de integrantes da executiva do partido e de coordenadores estaduais da campanha de Lula. No domingo posterior ao debate, o deputado eleito Jones Manoel, do PSOL e apoiador do presidente, publicou um vídeo nas redes sociais defendendo mudanças na equipe de comunicação.
Jones afirmou que a campanha deveria reunir influenciadores e comunicadores para divulgar checagens de informações durante os debates. Na avaliação atribuída a ele, era necessário melhorar a comunicação e responder às acusações feitas por Flávio Bolsonaro.
A reportagem também relata conflitos internos na equipe. Em 7 de outubro, Sidônio e o marqueteiro Otávio Antunes teriam discutido na casa em Brasília usada como estúdio para gravações de Lula. O episódio teria incluído troca de ofensas. Depois da discussão, Otávio deixou de frequentar o local, mas continuou contribuindo para a estratégia digital da campanha. Os dois não comentaram o episódio.
Após o primeiro turno, Lula decidiu incorporar Otávio Antunes à campanha presidencial. O grupo responsável pelo programa de governo é liderado por Raul Rabelo, sócio de Sidônio. Apesar dos conflitos relatados, a equipe de comunicação, ampliada no segundo turno, tenta reorganizar a estratégia, com maior dinamismo nas redes sociais e novos vídeos de Lula em formato de selfie.




