Economista prevê retração do PIB, aumento da desigualdade e redução de investimentos públicos caso propostas de austeridade fiscal sejam adotadas
O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, avaliou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial poderia trazer riscos para a economia brasileira no curto e no longo prazo. Em entrevista publicada pela imprensa, ele associou as propostas econômicas do candidato a uma possível retração do Produto Interno Bruto (PIB), ao aumento da desigualdade social e à redução dos investimentos públicos.
Segundo a avaliação de Stiglitz, as diretrizes apresentadas por Flávio Bolsonaro ainda não têm detalhamento suficiente, mas indicariam uma política de austeridade fiscal. Para o economista, cortes expressivos nos gastos públicos, mesmo acompanhados de redução de impostos, tendem a diminuir a atividade econômica e afetar principalmente os trabalhadores.
Stiglitz também demonstrou preocupação com possíveis impactos sobre educação, infraestrutura e tecnologia. Na avaliação atribuída a ele, a redução de investimentos nessas áreas poderia dificultar a diminuição da distância econômica entre o Brasil e os países desenvolvidos.
O economista afirmou ainda que a promessa de preservar benefícios previdenciários poderia concentrar eventuais cortes em outras despesas do orçamento, incluindo programas sociais e serviços destinados à população de baixa e média renda.
A avaliação contrasta com a reação positiva registrada no mercado financeiro após o primeiro turno das eleições, quando Flávio Bolsonaro terminou a votação com vantagem de 1,87 ponto percentual sobre o presidente Lula da Silva (PT). Na ocasião, o dólar recuou para R$ 5, enquanto a Bolsa brasileira alcançou 206 mil pontos, em meio à expectativa de maior controle das contas públicas em um eventual governo do candidato do PL.
Para Stiglitz, investidores tendem a priorizar benefícios imediatos, como a redução de impostos, sem considerar os efeitos de uma possível desaceleração econômica. O economista avaliou positivamente os resultados econômicos do governo Lula, mas apontou a manutenção dos juros elevados como um dos principais obstáculos ao crescimento do país.
Ele também relacionou as dificuldades fiscais brasileiras ao custo da dívida pública, pressionado pelas taxas de juros, e defendeu uma política econômica voltada ao estímulo da competitividade, ao fortalecimento dos salários e à ampliação das condições de financiamento para empresas e trabalhadores.




