Economia

Mudança na escala 6×1 pode alcançar 2,6 milhões de trabalhadores no Rio

Por • Publicado em 23 de outubro de 2026 • Atualizado em 23 de outubro de 2026 • 2 min de leitura
Agência Sebrae

Levantamento do Sebrae Rio com dados da RAIS aponta que 72,7% dos celetistas fluminenses têm jornada registrada acima de 40 horas semanais

Uma eventual redução da jornada máxima para 40 horas semanais poderá afetar mais de 2,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada no estado do Rio de Janeiro, segundo levantamento do Sebrae Rio com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2025), do Ministério do Trabalho e Emprego. O grupo corresponde a 72,7% dos 3,6 milhões de celetistas fluminenses com jornada registrada.

A proposta de emenda à Constituição mencionada no levantamento prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada. Pelo texto, a jornada passaria para 42 horas semanais dois meses após a publicação da medida e chegaria a 40 horas um ano depois, em uma transição de aproximadamente 14 meses.

De acordo com o Sebrae Rio, metade dos trabalhadores potencialmente afetados — cerca de 1,3 milhão de pessoas — está empregada em micro e pequenas empresas. A maior parte do grupo cumpre atualmente a jornada-padrão de 44 horas semanais.

O levantamento aponta que a jornada acima de 40 horas é mais frequente entre trabalhadores com menor escolaridade, jovens e pessoas pretas e pardas. Entre aqueles com ensino fundamental incompleto, 85,6% têm contrato acima de 40 horas. No grupo com diploma de nível superior, o percentual é de 47,4%.

Na faixa etária de 18 a 24 anos, 81,8% cumprem jornada acima de 40 horas, o equivalente a 307 mil pessoas. Os homens representam 62,1% dos trabalhadores afetados, ou 1,64 milhão. Entre as mulheres com carteira assinada, 66,8% trabalham mais de 40 horas, totalizando cerca de 1 milhão.

Pretos e pardos correspondem a 59% dos afetados, segundo o levantamento. A jornada longa alcança 76,6% dos trabalhadores pardos e 75,7% dos pretos, ante 67,5% dos brancos.

O Sebrae Rio orienta os pequenos negócios a redesenhar escalas, turnos e processos durante a transição. A entidade também recomenda planejamento do caixa, reforço da gestão de pessoas e adoção de estratégias de preço, composição de produtos e uso de canais digitais para reorganizar as operações.

Ainda conforme os dados apresentados, trabalhadores com jornada superior a 40 horas recebem, em média, R$ 3.158 por mês, enquanto aqueles com contrato de 40 horas recebem R$ 8.098. Entre os trabalhadores da jornada mais longa, 66,7% recebem até dois salários-mínimos.

Redação

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