Levantamento da Serasa Experian contabilizou 448 solicitações entre abril e junho, ante 565 no mesmo período de 2025
O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, uma queda de 20,7% em relação às 565 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando foram registrados 474 pedidos, houve recuo de 5,5%. O resultado interrompeu uma sequência de três segundos trimestres consecutivos de alta, observada em 2023, 2024 e 2025, em uma série iniciada pela Serasa Experian em 2021.
O indicador reúne produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e empresas ligadas à cadeia do agronegócio. Entre os produtores rurais pessoas físicas, foram registrados 197 pedidos entre abril e junho, queda de 10,5% ante os 220 do mesmo intervalo de 2025. Esse grupo concentrou o maior número de solicitações entre os três perfis analisados.
Mato Grosso liderou esse recorte, com 49 pedidos, seguido por Goiás, com 46; Minas Gerais, com 23; São Paulo, com 22; e Paraná, com 16.
Entre os produtores rurais pessoas jurídicas, foram contabilizados 160 pedidos no segundo trimestre, uma redução de 34,2% em relação aos 243 registrados no mesmo período de 2025. O cultivo de soja liderou as ocorrências, com 70 solicitações. Na sequência apareceram a criação de bovinos, com 28; a cana-de-açúcar, com 15; o café, com 13; e os cereais, com 12. Mato Grosso também ficou na primeira posição nesse grupo, com 54 registros.
As empresas relacionadas à cadeia do agronegócio somaram 91 pedidos no trimestre, 10,8% abaixo dos 102 registrados um ano antes. Serviços de apoio à agropecuária concentraram 26 ocorrências, seguidos pela agroindústria de transformação primária, com 20, e pelo comércio atacadista de produtos agropecuários primários, com 18.
No consolidado dos três perfis, Mato Grosso liderou o ranking estadual, com 107 pedidos, equivalentes a 23,9% do total. Goiás registrou 84 solicitações, ou 18,8%, seguido por São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, a retração pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores. Ele afirmou que custos elevados, crédito mais seletivo e endividamento mantêm o ambiente desafiador.
A Serasa Experian informou que o indicador é elaborado a partir de levantamento trimestral de processos e dos CPFs e CNPJs envolvidos em recuperações judiciais divulgadas pelos Tribunais de Justiça dos Estados.




