Sistema começou a ganhar forma no Norte do estado e combina cobertura permanente do solo, rotação de culturas e mínimo revolvimento
O plantio direto, tecnologia associada à redução da erosão e à conservação do solo, começou a ganhar forma no Norte do Paraná a partir da busca de agricultores e pesquisadores por alternativas ao preparo convencional. O sistema é baseado em três princípios: mínimo revolvimento do solo, cobertura permanente com palha ou plantas vivas e rotação de culturas.
A trajetória paranaense do plantio direto inclui a primeira semeadura comercial de soja sem preparo convencional do solo registrada na América Latina. O procedimento foi realizado em 1972 pelo agricultor Herbert Bartz, em Rolândia. A técnica avançou posteriormente para outras regiões do estado com a participação de produtores e pesquisadores.
A partir de 1976, o antigo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), atualmente integrado ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), intensificou estudos para adaptar o sistema às condições de solo e clima das regiões produtoras. As pesquisas envolveram manejo e fertilidade do solo, mecanização agrícola, fitotecnia, plantas de cobertura e controle de pragas e doenças.
De acordo com o IDR-Paraná, a integração das práticas do sistema pode contribuir para reduzir perdas de solo e água, melhorar as condições físicas, químicas e biológicas da terra e dar suporte à sustentabilidade da agropecuária. O modelo também pode reduzir operações mecanizadas e o consumo de combustível, além de favorecer a infiltração e o armazenamento de água por meio da preservação da matéria orgânica e da melhora da estrutura do solo.
Dados do Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que mais de 33 milhões de hectares eram cultivados com a tecnologia no Brasil. Esse total correspondia a 62% da área destinada à produção de grãos.
Para 2026, Rafael Fuentes Llanillo, pesquisador sênior do IDR-Paraná e coordenador de relações internacionais da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP), estimou a área brasileira sob plantio direto em torno de 45 milhões de hectares. Segundo ele, o número equivalia a 65% da área total destinada a lavouras temporárias. No cenário internacional, Llanillo afirmou que o sistema alcançava cerca de 300 milhões de hectares.
A continuidade da pesquisa, da assistência técnica e da adoção correta dos princípios do plantio direto é apontada pelo IDR-Paraná como necessária para ampliar os ganhos agronômicos e econômicos associados ao sistema.




