Contratos de Depósito Interfinanceiro recuaram nos vencimentos de 2028, 2029 e 2031; mercado acompanhou pesquisas eleitorais, rendimentos internacionais e petróleo
As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram praticamente estáveis nesta segunda-feira (19), após operarem em alta moderada durante parte do pregão. A disputa apertada no segundo turno da eleição presidencial e a alta dos rendimentos dos títulos públicos nos Estados Unidos e na França limitaram a direção dos negócios.
O DI para janeiro de 2028 recuou de 12,918%, no ajuste de sexta-feira, para 12,845%. O contrato para janeiro de 2029 caiu de 12,718% para 12,660%. Já o DI para janeiro de 2031 passou de 12,771% para 12,730%.
A percepção de que a disputa eleitoral seguia indefinida a poucos dias do segundo turno reduziu as apostas direcionais ao longo da sessão. Relatos de trackings eleitorais indicando melhora de Flávio Bolsonaro contribuíram para a moderação das taxas no fim do pregão, segundo agentes citados nas informações divulgadas à imprensa.
Nos levantamentos mencionados, o cenário permaneceu apertado. Na Atlas/Bloomberg, Flávio Bolsonaro aparece com 49,8% das intenções de voto, ante 47,6% de Lula. Na BTG/Nexus, o senador registra 46,5% dos votos totais, contra 45,9% do presidente. As métricas são apresentadas com denominadores diferentes e não foram combinadas.
No exterior, a alta dos rendimentos dos títulos soberanos reforçou a pressão sobre os vencimentos mais longos da curva brasileira. O juro da T-note americana de dez anos avançava de 5,085% para 5,140%. O retorno do título francês de igual vencimento subia de 4,786% para 4,931%, em meio à percepção de deterioração da crise fiscal na França.
O petróleo também influenciou os negócios. Por volta das 14h30, a curva de DIs renovou as máximas intradia quando o Brent tocou US$ 110. Depois, a commodity perdeu força e fechou em queda de 0,28%, movimento que ajudou na acomodação das taxas.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities LLC, pesquisas, declarações dos candidatos, propostas econômicas e possíveis impactos fiscais das medidas discutidas na campanha estavam entre os principais pontos de atenção.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, afirmou que a política fiscal brasileira continuava no centro da precificação dos ativos. Ela também citou notícias sobre a intenção do governo de realocar R$ 20 bilhões no Orçamento e ampliar medidas econômicas na reta final eleitoral.
Com o quadro eleitoral aberto e a política fiscal no foco do mercado, os juros futuros encerraram a sessão sem direção única, após um dia marcado pela volatilidade e pela influência do cenário externo.



