Papéis chegaram a recuar 37,36% e 31,35%, respectivamente; Ibovespa acionou mecanismo de suspensão das negociações por 30 minutos
As ações do BTG Pactual e do Banco do Brasil registraram fortes quedas nesta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a manhã, os papéis chegaram a recuar 37,36% e 31,35%, respectivamente, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).
As ações de outros grandes bancos também operaram em baixa ao longo do pregão. Às 13h50, o BTG Pactual acumulava desvalorização de 32,86%, enquanto o Banco do Brasil recuava 29,73%. No mesmo horário, as ações preferenciais do Bradesco caíam 23,66%, as do Itaú Unibanco tinham baixa de 15,40% e as unidades do Santander Brasil recuavam 4,25%.
Os percentuais correspondem a momentos específicos do pregão e não representam os resultados de fechamento da Bolsa. A queda dos papéis ocorreu em um dia de forte desvalorização das empresas brasileiras, segundo informações tornadas públicas.
A B3 acionou o mecanismo de circuit breaker às 9h57, suspendendo as negociações por 30 minutos. O procedimento é utilizado quando o Ibovespa registra quedas acentuadas. De acordo com as informações divulgadas, foi a primeira utilização do mecanismo desde março de 2020.
Às 15h26, o Ibovespa recuava 14,77%, aos 174,8 mil pontos. Na mínima do dia, o índice chegou a cair 17,34%. No mesmo horário, o dólar era negociado a R$ 5,41, com alta de 8,72%. Mais cedo, a moeda havia alcançado R$ 5,60.
As oscilações ocorreram após Lula vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário.
Segundo analistas ouvidos por veículos especializados, parte dos investidores havia montado posições financeiras na expectativa da vitória de Flávio Bolsonaro e de mudanças na política fiscal. Após o resultado eleitoral, o mercado passou a rever essas posições.
Em relatório divulgado na segunda-feira, o banco americano JP Morgan reduziu sua recomendação para investimentos em real e títulos públicos brasileiros. A instituição citou a necessidade de reavaliar ativos diante das incertezas sobre as medidas econômicas do próximo governo.
O BTG Pactual também projetou novas perdas no mercado acionário nas semanas seguintes, diante de preocupações com o equilíbrio das contas públicas e a trajetória dos juros, conforme as informações divulgadas. A alta das taxas futuras pressionou especialmente ações de empresas ligadas ao crédito, ao varejo e à construção civil.
Na direção contrária, companhias exportadoras registraram ganhos. Por volta das 15h30, as ações da Suzano subiam mais de 11%, enquanto as da Vale avançavam aproximadamente 5%.




