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Vitrine de loja em São Paulo é alvo de representação por suspeita de racismo

Por • Publicado em 4 de novembro de 2026 • Atualizado em 4 de novembro de 2026 • 2 min de leitura
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Montagem usava manequins negros com aventais diante de figuras brancas vestidas para uma festa; empresa negou intenção discriminatória e alterou a exposição

Uma vitrine da loja de vestidos de festa Arthur Caliman, na avenida Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, foi alvo de uma representação apresentada ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suspeita de racismo. A montagem mostrava manequins negros usando aventais e simulando o atendimento a manequins brancos vestidos para uma festa.

A representação foi apresentada na terça-feira (3) e encaminhada à Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos, na área de Inclusão Social. O Ministério Público recebeu o documento, mas não havia informação sobre a conclusão da análise ou sobre eventual responsabilização da empresa pelo episódio.

Na composição questionada, os manequins negros apareciam em funções de serviço, enquanto os brancos vestiam roupas de festa. Não havia manequins negros representados como convidados nem manequins brancos na posição de atendentes.

O advogado Hédio Silva Jr., fundador da organização Jusracial, avaliou que a vitrine associava pessoas negras a posições de subalternidade e reforçava estereótipos raciais ligados ao trabalho de servir pessoas brancas. Manuela Thamani, diretora executiva do Observatório da Branquitude, também criticou a exposição. Segundo ela, a montagem associava pessoas brancas ao luxo e ao prestígio, enquanto reservava às figuras negras funções de serviço. A entidade informou que acompanha a representação encaminhada ao Ministério Público.

A Arthur Caliman afirmou que repudia o racismo e qualquer forma de discriminação. A empresa negou ter planejado uma exposição com mensagem racial e declarou que a escolha dos manequins varia conforme a proposta visual de cada vitrine. De acordo com a loja, o objetivo era criar contraste entre as cores das roupas e dos bonecos.

A empresa também afirmou que a vitrine anterior utilizava apenas manequins pretos com roupas claras. Após ser procurada, informou que substituiu o manequim questionado e lamentou o desconforto provocado pela exposição.

Redação

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