Taxas foram apontadas por quatro em cada 10 empresários e alcançaram o segundo maior nível da série histórica, iniciada em 2015
Quatro em cada 10 empresários da indústria da construção apontaram as taxas de juros elevadas como o principal problema enfrentado pelo setor no terceiro trimestre de 2026. A proporção aumentou 3,8 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e atingiu o segundo maior nível da série histórica, iniciada em 2015.
Os dados fazem parte da Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Segundo o levantamento, apenas no segundo trimestre de 2023 o percentual de empresários que apontaram os juros como problema foi maior.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, afirmou que as taxas de juros ocupam a primeira posição do ranking de preocupações há algum tempo e continuam ganhando importância mesmo com as sucessivas reduções da taxa Selic pelo Banco Central.
A alta carga tributária apareceu como a segunda maior preocupação, mencionada por 31% dos empresários. No trimestre anterior, o item havia sido apontado por 33,6% dos entrevistados.
A falta ou o alto custo da mão de obra não qualificada subiu da quarta para a terceira posição do ranking. A proporção passou de 28,6% para 29% das assinalações entre o segundo e o terceiro trimestres.
As condições financeiras da indústria da construção permaneceram negativas no terceiro trimestre. O índice que mede a facilidade de acesso ao crédito caiu 1,4 ponto, de 39,3 para 37,9 pontos. De acordo com a metodologia apresentada no levantamento, o afastamento da linha divisória de 50 pontos indica maior dificuldade para obter empréstimos e financiamentos.
O índice de satisfação com o lucro operacional recuou 1 ponto, para 40,7 pontos. Com isso, a satisfação dos empresários com a margem de lucro dos negócios atingiu o menor patamar desde o primeiro trimestre de 2021.
O índice de satisfação com a situação financeira permaneceu em 45,2 pontos, abaixo da linha divisória de 50 pontos, sinalizando descontentamento dos empresários com as finanças dos negócios.
Já o indicador de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas caiu 0,6 ponto, de 66,2 para 65,5 pontos. Como permaneceu acima de 50 pontos, o índice indica percepção de encarecimento dos insumos e das matérias-primas.
A intenção de investimento do setor subiu 2,2 pontos em relação a setembro e chegou a 41,9 pontos. Ainda assim, o levantamento classificou o resultado como o pior mês de outubro desde 2020.
Em setembro, o índice de evolução do nível de atividade da indústria da construção aumentou 0,9 ponto, para 45,6 pontos, após queda de 2,6 pontos em agosto. O conteúdo disponível da divulgação não apresenta a continuação da análise sobre a distância do indicador em relação à linha de 50 pontos.



