Cimehgo registrou 121,2 milímetros em Palestina de Goiás e 108 milímetros em Nazário; previsão indica calor e distribuição irregular das precipitações
Municípios de Goiás registraram volumes superiores a 100 milímetros de chuva nos primeiros nove dias de setembro, antes da abertura do calendário de plantio da soja. O Cimehgo apontou acumulados de 121,2 milímetros em Palestina de Goiás e 108 milímetros em Nazário.
A chuva antecipada trouxe alívio após meses de estiagem, mas produtores ainda enfrentam incertezas sobre a continuidade das precipitações durante o início da safra 2026/27. Segundo André Amorim, gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), o principal desafio não é necessariamente a ausência de chuva, mas a irregularidade na distribuição dos volumes.
O vazio sanitário da soja permanece até 24 de setembro. A semeadura da safra 2026/27 está autorizada entre 25 de setembro e 2 de janeiro de 2027, de acordo com a Agrodefesa. Com isso, parte da chuva registrada chegou mais de duas semanas antes do início permitido do plantio.
A avaliação é que a umidade acumulada pode favorecer a semeadura, mas intervalos prolongados sem chuva depois do plantio podem prejudicar a emergência das plantas. A agrônoma Viviane Albuquerque afirmou que o problema pode resultar em falhas e desuniformidade da lavoura e, em situações mais severas, levar à necessidade de replantio.
O CEMPA-Cerrado, da Universidade Federal de Goiás (UFG), prevê aumento gradual da instabilidade e das precipitações em setembro, principalmente no Sudoeste goiano e na Região Metropolitana de Goiânia. O centro também mantém a previsão de temperaturas elevadas, com máximas de até 41°C entre 15 e 24 de setembro.
Para outubro, a tendência indicada é de chuvas próximas da média em grande parte do estado, mas com distribuição irregular, alternando períodos secos e episódios de precipitação. Em novembro, há possibilidade de chuva abaixo da média em boa parte de Goiás, principalmente no Sul, no Sudoeste e na Região Metropolitana de Goiânia. A probabilidade de temperaturas acima da média permanece entre 70% e 90% em praticamente todo o território goiano.
A irregularidade ocorre durante o fortalecimento do El Niño. Em atualização divulgada no dia 10, a NOAA informou que a anomalia de temperatura na região Niño 3.4 chegou a 1,8°C em agosto e calculou probabilidade superior a 90% de um evento muito forte nos meses seguintes. A agência também estimou em 75% a possibilidade de o fenômeno atingir, entre outubro e dezembro, intensidade superior à de episódios anteriores da série iniciada em 1950, conforme o indicador utilizado pelo órgão.
A produção de soja de Goiás na safra 2025/26 foi estimada em 20,1 milhões de toneladas, com produtividade de 3,9 toneladas por hectare. A expectativa é que a combinação entre chuva e períodos de calor continue sendo monitorada pelos produtores durante a abertura do calendário de plantio.



