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Preços do milho recuam até 22% no interior do Brasil desde setembro

Por • Publicado em 27 de outubro de 2026 • Atualizado em 27 de outubro de 2026 • 2 min de leitura
Canal Rural

Exportações menos competitivas, dificuldades de escoamento e estoques da indústria pressionam as cotações no mercado interno, segundo análise da Biond Agro

Os preços do milho caíram até 22% no interior do Brasil desde setembro, em meio à perda de competitividade das exportações e às dificuldades para escoar a produção. Em Sorriso (MT), a saca recuou 22%, para R$ 41; em Rio Verde (GO), a queda foi de 19%, para R$ 50,20.

A pressão sobre o mercado interno está relacionada à programação reduzida de embarques para novembro, às restrições nas hidrovias do Norte, às filas no Porto de Paranaguá e aos fretes elevados. Esses fatores dificultam principalmente o transporte do milho produzido em Mato Grosso com destino aos portos do Sul.

Segundo análise da Biond Agro, uma recuperação mais consistente dos preços depende da retomada das compras pela indústria, esperada a partir de dezembro. No Centro-Oeste, parte dos compradores ainda possui estoques suficientes até novembro ou dezembro e tende a voltar ao mercado conforme houver necessidade de reposição.

A analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Isabella Pliego, avaliou que o produtor encontra, no curto prazo, um mercado com menos compradores. De acordo com a análise, a exportação perdeu força e a indústria ainda está abastecida, o que limita a negociação de preços melhores e não indica, neste momento, uma recuperação imediata.

A perda de competitividade das exportações brasileiras também é associada à queda das cotações do milho na Bolsa de Chicago e ao dólar abaixo de R$ 5. Com menor atratividade para os embarques internacionais, uma parcela maior do cereal permanece disponível no mercado interno.

Para alcançar a estimativa de exportar 38 milhões de toneladas em 2026, o Brasil precisaria embarcar 12 milhões de toneladas em novembro e dezembro. A programação de embarques para novembro, porém, seguia reduzida no período analisado pela Biond Agro.

A produção de etanol de milho pode contribuir para equilibrar a oferta e a demanda. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento de 6,6% na produção do biocombustível na safra 2026/27. O efeito sobre os preços, contudo, dependeria da retomada das compras pelas indústrias.

Diante desse cenário, a Biond Agro recomenda que o produtor considere a necessidade de caixa e a disponibilidade de armazenagem antes de decidir o momento da venda. A avaliação da entidade é que produtores que precisam de recursos ou de espaço nos silos para receber a soja podem negociar o milho gradualmente.

Redação

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